Candangos na rua por Obama
BRASILIENSES FAZEM CAMPANHA E ARRECADAM
DINHEIRO PARA O DEMOCRATA, ENQUANTO SOBRINHO DA
VICE REPUBLICANA TORCE POR UMA VIRADA NAS URNAS
DA REDAÇÃO
Enquanto a eleição acontece
nos Estados Unidos, em
Brasília duas torcidas esperam
ansiosas pelo resultado.
Uma acredita que o próximo
presidente americano será Barack
Obama, a outra tem esperança
que John McCain chegue à Casa
Branca. O grupo brasiliense “Obama
Brasileiro” vai acompanhar a
eleição pela internet e se reunir na
noite de hoje para tentar saber se
os R$ 2,5 mil enviados para a campanha
democrata valeram a pena.
E na casa de uma família brasileira,
Payton McCann, sobrinho de
Sarah Palin, vai torcer de longe pelo
Partido Republicano.
“Estou esperando pelo melhor.
Estou rezando pela Sarah e espero
que tudo ocorra bem”, disse Payton
ontem ao Correio. Aos 16 anos,
ele ainda não conseguiu participar
das eleições e confessou que não
tem acompanhado a corrida à Casa
Branca. Mas afirmou que hoje
vai ficar ligado nas notícias pela internet.
Payton é filho da irmã caçula
de Sarah, Molly McCann, e está
em Brasília para um intercâmbio
de 10 meses pelo Rotary Club. A família
continua na pequena cidade
de Wasilla, no sul do Alasca, e faz
campanha para a governadora do
estado. “Hoje, todos vão votar no
McCain, é claro”, disse o estudante.
Ivan Rodrigues acredita na vitória
de Obama. Ele é coordenador
do grupo “Obama Brasileiro” e já
programou um churrasco no domingo
para comemorar. Mas o
medo de que alguma coisa dê errado
no sistema de votação ainda
existe. Apesar da confiança, o
enfermeiro só vai ter certeza
mesmo depois que o resultado
for anunciado. “As eleições americanas
são uma caixinha de surpresas,
porque lá são os delegados
que decidem. Pode ser que
dê uma zebra, mas acho que os
Estados Unidos não vão errar
desta vez”, afirmou Ivan.
O grupo “Obama Brasileiro”
começou com poucos integrantes.
Agora, tem quase 500 membros
espalhados pelo Brasil. A
idéia era discutir a liderança de
Obama e a presença de um negro
no comando de uma potência
mundial. “Discutimos sobre o
mecanismo que conseguiu alavancar
Obama como presidente
e como esse mecanismo poderia
funcionar aqui no Brasil”, explicou
Ivan. Para espalhar a mensagem,
eles fizeram camisetas e distribuíram
adesivos por Brasília.
Durante as primárias, o grupo
se mobilizou para arrecadar dinheiro
para a campanha de Obama.
Eles fizeram um churrasco e
conseguiram R$ 2,5 mil. “Na época,
a gente achava que a Hillary
Clinton iria ganhar porque tinha
mais dinheiro e queríamos que
ele ganhasse”, revelou o coordenador.
“Obama fala em derrubar
muros e se interligar. O mundo
vai ser melhor por causa dele. Por
isso o apoiamos. Não estamos
colocando ele em um pedestal,
mas Obama é uma inspiração.”
“Eu acredito que ele vai ganhar,
sim. Só de ter um negro
presidente é um avanço muito
grande. O Obama é um exemplo
para que futuramente tenha um
aqui também”, contou uma das
integrantes do grupo, Layla Marizandra.
Para ela, é importante
chamar a atenção do Brasil para
dar espaço aos líderes negros.
“Assim como ocorre lá, a gente
pode conseguir ter um presidente
negro. Mas deve demorar
um pouquinho mais”. Depois
das eleições o nome “Obama
Brasileiro” não vai mudar. E
mesmo que Obama não ganhe
hoje, o grupo vai continuar.
“Obama quer dizer abençoado,
por isso adotamos esse significado
para nós. Somos brasileiros
abençoados”, explicou Ivan.
Peterson Mendes está com o
grupo desde o início e fabrica
camisetas. “Obama é um representante
da minoria. A gente se
identificou com a origem do cara,
com o trabalho que ele desenvolve.
Só por ter chegado
aonde chegou, é uma vitória”,
afirmou. Para Mendes, a eleição
de Barack Obama deve servir de
exemplo. “A gente espera que
essa mudança seja refletida aqui
no Brasil também.”
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